Estar solteiro, no geral, é um quadro muito bom: não preciso dar satisfações, não tenho que me preocupar com a possível falta de caráter e/ou dignidade de ninguém, as noites são mais variadas e, na sua maioria, mais divertidas… Mas sinto falta de alguns momentos que, infelizmente, a solteirisse não pode (mais) me fornecer. Sei lá, não que eu não goste de variar os beijos, os toques, os corpos das mulheres que encontro, é que, às vezes, sinto saudade de poder chama-las de lindas, ao invés de gostosas, de tocar o rosto de leve, tirando com carinho o cabelo, tocar a nuca ao invés da bunda, abraçar com força, me sentir protegendo ao invés de com tesão… Também não serei mentiroso, eu gosto das promiscuidades como qualquer outro, não sou nenhuma espécie de santinho ou afins, só sinto um vazio estranho algumas noites, como se nenhuma pessoa no mundo estivesse, naquele momento, na mesma sintonia que a minha. Bom, enquanto a mulher certa não aparecer, o que posso eu fazer se não me divertir com o que tiver? A vida é isso aí, um poço de futilidades tocado por breves reflexos de lucidez…
Texto do Athos Pietro que eu adoro. Sem o que tirar, nem por. Mas se voce ainda quiser ser só minha, eu vou adorar abandonar minha vida de solteira.
3 de dez. de 2010
23 de nov. de 2010
Água
Era mais fácil aguentar aquela situacao toda embaixo da água, ela nao conseguia chorar ali. Quase uma hora em baixo do chuveiro, sentindo aquela água batento em sua nuca, e escorrendo por todo seu corpo. Já nao fazia ideia da temperatura dela, nem de quanto tempo estava ali. Mas era confortável. Parecia doer menos ali, parecia que aquela dor toda estava escorrendo ralo abaixo. Ela sabia que quando saisse dali, voltaria para o mundo real, onde nao haveria aquele alívio momentaneo. Era fácil repassar toda a situacao em pensamento e tentar achar uma solucao. era fácil também reconhecer que o erro nao tinha sido dela, e que nao havia o que fazer agora. Os bracos apoiados no azuleijo gelado nao estavam nada confortáveis, mas nada mais importava ali. Só a água, misturada com as poucas lágrimas que ainda caiam, descendo pelo ralo.
Baseado nas piores decepcoes da minha vida. Mas nós aprendemos, e dói cada vez menos.
Stay beautiful
Baseado nas piores decepcoes da minha vida. Mas nós aprendemos, e dói cada vez menos.
Stay beautiful
18 de nov. de 2010
A lei da reciprocidade
Por maior que seja o feito, as pessoas simplesmente nao se importam. Nada do que voce fizer vai ser suficiente, pra ninguém. Voce mesmo quer sempre mais, até porque comodismo nao é vida. Mesmo que seja pura ganancia, voce sempre vai querer mais. Se dar por satisfeito é desistir dos seus sonhos, daqueles que nem mesmo tempo de planejar voce teve, pois estava correndo atrás de algo que julgava ser prioridade. Talvez de um outro sonho, talvez de uma pessoa. Sem duvidas, a maior frustracao de um ser humano é fazer algo por alguém, e esse alguém nao reconhecer, nao perceber. Sempre nos ensinam a fazer as coisas sem esperar nada em troca, mas temos a imbecil esperanca de receber pelo menos um "obrigada". Fomos educados assim, desde pequenos nos dizem para nao fazer algo esperando volta e sempre a agradecer. Quando nao agradecemos, passamos por mal educados. Na nossa relacao com as pessoas nao é diferente. Quando se dá carinho, se espera um sorriso, um abraco, um reconheco, a porra que for, só pra termos a certeza de que está valendo a pena. Assim como todo mundo, é só isso que eu espero. Sentir que está valendo a pena. Um pouco de credibilidade também, afinal, ainda sou humana. Quando nao recebemos nada em troca, faz-se uma ferida, que vai cicatrizando aos poucos e criando resistencia. Bem que falam que, quanto mais se vive, menor é a dor. Pois já temos experiencia. Sabemos que tudo passa. E entao ficamos 'anestesiados, onde nada mais nos surpreende. E as verdades já nao doem tanto'.
This too shall pass, when the mornig comes.
This too shall pass, when the mornig comes.
8 de nov. de 2010
Ainda que
locução conjuntiva subordinativa de concessão
por Fel.
Ainda que ela esqueça, que ela finja que nada aconteceu, ainda que ela consiga olhar dentro dos olhos dele e não lembrar da quantidade de água que saiu dos dela por culpa dele, ainda que formem dois arco-íris de novo, ainda que ela não ouça mais certas músicas e lembre dele, ainda que a raiva que ela sente da idiotice que ele fez passe, ainda que ela não se sinta mais invadida cada vez que ele fale com qualquer pessoa que faça parte do mundo dela, ainda que ela não queira mais se esconder, que não se importe em contar pra ele como está a sua vida, que ela não tenha medo dele estragá-la de novo, ainda que ela volte a se sentir dele, que ela não sinta mais vontade de nunca mais olhar pra ele, ainda que ela não ache mais que ela pode ser feliz com outras pessoas ou sozinha, mas só com ele, ainda que ele volte a inspirar boas idéias e não só textos inúteis e tristes e amargos feito esse, ainda que ela consiga ser melhor do que ela é, ainda que ela olhe pra ele e pense que ela não deveria sentir o que ela sente, que ela deveria ser maior do que tudo isso, que ela deveria deixar pra lá, ainda que ouvir o nome dele volte a colocar um sorriso no seu rosto, ainda que o mundo acabe, existirá sempre esse abismo enorme entre os dois, que é a diferença infinita da definição de amor dela para a dele.
Eu poderia muito bem ter escrito esse texto, mas (in)felizmente a Fel do antigo Zine Vanilli traduziu em palavras o que eu sinto. Enfim, só tenho a agradecer a ela por ter me poupado do trabalho.
Como diriam elas:
Stay beautiful.
por Fel.
Ainda que ela esqueça, que ela finja que nada aconteceu, ainda que ela consiga olhar dentro dos olhos dele e não lembrar da quantidade de água que saiu dos dela por culpa dele, ainda que formem dois arco-íris de novo, ainda que ela não ouça mais certas músicas e lembre dele, ainda que a raiva que ela sente da idiotice que ele fez passe, ainda que ela não se sinta mais invadida cada vez que ele fale com qualquer pessoa que faça parte do mundo dela, ainda que ela não queira mais se esconder, que não se importe em contar pra ele como está a sua vida, que ela não tenha medo dele estragá-la de novo, ainda que ela volte a se sentir dele, que ela não sinta mais vontade de nunca mais olhar pra ele, ainda que ela não ache mais que ela pode ser feliz com outras pessoas ou sozinha, mas só com ele, ainda que ele volte a inspirar boas idéias e não só textos inúteis e tristes e amargos feito esse, ainda que ela consiga ser melhor do que ela é, ainda que ela olhe pra ele e pense que ela não deveria sentir o que ela sente, que ela deveria ser maior do que tudo isso, que ela deveria deixar pra lá, ainda que ouvir o nome dele volte a colocar um sorriso no seu rosto, ainda que o mundo acabe, existirá sempre esse abismo enorme entre os dois, que é a diferença infinita da definição de amor dela para a dele.
Eu poderia muito bem ter escrito esse texto, mas (in)felizmente a Fel do antigo Zine Vanilli traduziu em palavras o que eu sinto. Enfim, só tenho a agradecer a ela por ter me poupado do trabalho.
Como diriam elas:
Stay beautiful.
17 de out. de 2010
Senhor Otimista.
Foi só mais uma noite que voce conseguiu o que queria, e eu achei que sai por cima, pelo menos uma vez em sete meses. Mas por um lado essa ilusao foi confortante. A julgar pelo comeco da noite, nao imaginei como ia terminar, e nao esperava nada. Nao queria aquela noite. Pra mim já bastava a "agonia" de te ver aquela tarde. Alguma coisa me fez levantar da cama e sair de casa, e nao foi só o apelo quase irresistível da minha melhor amiga. Já que era pra sair, esperava algo bom, algo novo. Mas novidades sao para aqueles que sabem como inovar. Já eu, acabo sempre repetindo os mesmos erros. De imediato estava me sentindo bem. Eu me senti bem aquela noite- Aproveitei o resto dela da maneira mais inovadora que podia.E naquele momento eu nao te queria. Pelo menos ali eu nao pensei em voce, e nao queria estar com voce. Estava feliz por estar com alguém que sabe desse meu "momento", sem estar ferindo seus sentimentos. Porque voce é só um momento, e que já está passando. Ou pelo menos eu prefiro acreditar que sim. Mas sempre tem uma hora que tudo volta. A musica na minha cabeca, maldita musica que até entao era só minha. Estava explodindo por dentro, só de estar ouvindo aquela musica, podendo cantar e dancar de olhos fechados. Nao precisava de mais nada, e a distancia entre nós estava confortável. Só que chegou a hora que me deram a razao e a escolha. Eu esqueci a razao. Só depois que fazemos a escolha e cometemos o erro é que vamos lembrar da razao. A razao que nao te deixaria mal depois do impulso do momento. E mais uma vez eu olho pra minha amiga e falo "voce tinha razao". Mas eu to aprendendo. Cada dia dói menos. Cada segundo é um passo a mais para tirar o que resta de voce em mim. Hoje me sinto bem em dizer que a minha falta de sono nao é por sua causa, e sim por ansiedade. Só lembrei de voce por acaso, enquanto me apaixonava mais uma vez pela ficcao das séries de tv, e pelos galas inalcancáveis. Ainda me alimento de amores platonicos pra nao desistir de tentar ser feliz ao lado de alguém.
24 de set. de 2010
Pelo tempo que for
Aah, eu esperei tanto tempo
Mas, eu juro que não aguento
Já tentei te esquecer,
E quis parar de ter você no meu peito
O que eu faço pra ele me obedecer?
Ah, eu por um lado te entendo, morena
Mas eu continuo querendo
Eu sei que é tarde começar,
Mas nunca é tarde pra tentar
Nosso tempo iríamos aproveitar
Quero tentar te conhecer
Quero tentar te convencer
Sei que não é mais fácil assim
E se tanto faz ter um fim
Se o tempo faz esquecer
Não tem como te dizer
Se nada acontecer
Aah, os seus defeitos eu invento
Pra fingir que eu não me arrependo
De ter que ver você partir assim,
Sem antes ver você sorrir pra mim
Eu te juro, que um dia ainda vou me arrepender
Quero tentar te conhecer
Quero tentar te convencer
Sei que não é mais fácil assim
E se tanto faz ter um fim
Se o tempo faz esquecer
Não tem como te dizer
Se nada acontecer
Sei que não é mais fácil assim
E se tanto faz ter um fim
Se o tempo faz esquecer
Não tem como te dizer
Se nada acontecer
Se nada acontecer
Acontecer...
Não tem como te dizer!
Mas, eu juro que não aguento
Já tentei te esquecer,
E quis parar de ter você no meu peito
O que eu faço pra ele me obedecer?
Ah, eu por um lado te entendo, morena
Mas eu continuo querendo
Eu sei que é tarde começar,
Mas nunca é tarde pra tentar
Nosso tempo iríamos aproveitar
Quero tentar te conhecer
Quero tentar te convencer
Sei que não é mais fácil assim
E se tanto faz ter um fim
Se o tempo faz esquecer
Não tem como te dizer
Se nada acontecer
Aah, os seus defeitos eu invento
Pra fingir que eu não me arrependo
De ter que ver você partir assim,
Sem antes ver você sorrir pra mim
Eu te juro, que um dia ainda vou me arrepender
Quero tentar te conhecer
Quero tentar te convencer
Sei que não é mais fácil assim
E se tanto faz ter um fim
Se o tempo faz esquecer
Não tem como te dizer
Se nada acontecer
Sei que não é mais fácil assim
E se tanto faz ter um fim
Se o tempo faz esquecer
Não tem como te dizer
Se nada acontecer
Se nada acontecer
Acontecer...
Não tem como te dizer!
20 de jul. de 2010
Filmes e clichês sao para todos
Nunca tentei fazer da minha vida um filme, que esperava ter um final feliz, clichê e previsível. Nem tampouco um drama, para ser vista como a coitadinha que já havia sofrido demais, mas vejo uma certa beleza e consigo achar inspiracao em histórias tristes. Afinal, finais felizes sao clichês, e nunca surpreendem tanto quando um final trágico. Queria a realidade. Sempre soube que possuímos uma forca maior do que achamos que temos. Já considerei saídas alternativas e nao tao lícitas para superacao de alguns problemas. Nao que eu ache o certo, mas acabo considerando por perceber que há uma certa beleza nisso também. Por isso os textos inspirados em musicas sobre pessoas em situacao desfavorável, geralmente por decorrencia de finais de relacionamentos. Nao que eu veja beleza nisso, ou seja pessimista, mas às vezes acho incrivel a forma como alguns encaram o fim de um relacionamento. Eu achava que nao gostava de comparar as coisas com filmes, mas isso nao posso negar que se encaixaria perfeitamente em um, se é que já nao existe. Achava que tinha pelo menos um pé no chao, mas me pego vendo seriados americanos onde a mocinha encontra um cara legal e bonito que gosta dela, eles namoram e vivem felizes para sempre. Imaginava conhecer pessoas interessantes nos lugares mais improváveis possiveis, mas isso também é coisa de filme. Hoje, agora de madrugada, estava na janela olhando o carro de lixo passar e me dei conta de que isso é a realidade. Se eu sair desde quarto agora, exatamente às 4:23 e for para a rua, ou para algum bar, nunca vai ser como eu fantasio daqui de dentro. A rua está completamente vazia. Voce nao odeia a cidade, ela que odeia voce. Ninguém vai chegar para mim e perguntar se está tudo bem e me oferecer um ombro amigo no meio da madrugada. Eu nao vou encontrar alguém interessante dancando bebada, e esta pessoa me levará de volta para casa em seguranca, e dai nasca algo incrível. Essa também nao é a realidade, mas era o que eu queria. Na verdade sou tao clichê quanto qualquer adolescente apaixonada que fantasia com o amor da sua vida, o primeiro beijo perfeito e um felizes para sempre. Só muda o tipo de fantasia, mas ela continua presente. A realidade é que amanha eu vou acordar, provavelmente com a minha mae reclamando por eu ter ficado a madrugada inteira na internet, ninguém vai me ligar simplesmente para ouvir a minha voz, eu nao sairei de casa, o que nao me deixará a possibilidade de encontrar alguém que faca alguma diferenca na minha vida, comerei algo sem nenhuma preocupacao com saúde ou coisa do tipo, passarei boa parte do dia sonolenta em frente à televisao vendo reprises de programas que já decorei, e no final da tarde será a mesma coisa. Meu pai chegará em casa, me contará algo novo, pegarei esse laptop e ficarei horas incansáveis na frente dele, vendo a vida acontecer enquanto fantasio em um blog. Deixei de mencionar que acordarei cedo, simplesmente para te dar parabéns por msn, pois é o unico horario em que consigo falar com voce sem que sua namorada saiba. E entao, meu dia será assim, e nao fez diferenca pra ninguém. Nem mesmo pra mim.
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